A nova inteligência e a balança das competências: O que determinará o sucesso no futuro?

“O analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender” (Alvin Toffler)

No contexto VUCA (volátil, incerto, caótico e ambíguo) em que vivemos, seremos cada vez mais expostos a situações inéditas e problemas desconhecidos, por isso, o que aprendemos no passado não terá mais utilidade da forma como conhecemos. A partir de agora, mais importante do que saber é saber aprender, isto é, ter a capacidade de resolver novos problemas rapidamente. Não é mais sobre o quanto você sabe e sim sobre em quanto tempo você consegue se adequar e prosperar em um contexto totalmente inexplorado (learning agility).

Empresas tiveram por muito tempo o QI como critério principal de contratação e deter conhecimento sempre foi motivo de prestígio, porém, o mundo como vem se apresentando coloca o perfil “sabe-tudo” em sério risco. A postura convicta tende a ser cada vez menos aceita e domínio puramente técnico insuficiente para atingir sucesso. Conhecimento e bagagem sempre serão necessários, mas a mudança de peso na relação entre competências técnicas e comportamentais não pode mais ser ignorada.

No livro Unlearn, o autor Barry O’Reilly afirma que  tentar replicar sucessos do passado nos impede de ser bem sucedidos no futuro e defende a habilidade de desaprender como ferramenta para desbloquear o potencial de sucesso. A palavra é adaptabilidade, e para prosperar nos novos meios é necessário assumir uma nova conduta, a de eterno aprendiz, e entender que as soft skills (habilidades comportamentais) serão mais demandadas que as hard skills (habilidades técnicas).

A capacidade de aprender, desaprender e reaprender está diretamente ligada a inteligência emocional, sem gerenciar as próprias emoções não é possível:

Lidar com a falta de previsibilidade –É necessário ser flexível para se adaptar ao que o futuro apresentar e a incerteza pode gerar medo e paralisia.

Interpretar as novas situações com agilidade – Para desenvolver visão e novos planos é preciso criar perspectivas. Sem IE não é possível enxergar os cenários com clareza.

Responder com desenvoltura às rápidas mudanças – A sensação de atraso constante pode gerar ansiedade e exaustão.

Ser efetivo na comunicação – A troca de mensagens é cada vez mais complexa pela quantidade de interlocutores envolvidos e volume de informações circuladas. Mantê-la fluida, clara e assertiva é essencial e sem saber ouvir, interpretar e negociar a comunicação pode ser prejudicada.

Agir em conjunto e colaborar – a revolução digital abriu espaço para a aprendizagem cooperativa, um modelo onde impera a interdependência e é focado em trabalho compartilhado para atingir objetivos em comum.

É difícil abandonar a zona de conforto, o familiar, e assumir uma postura de aluno (do latim sem luz). Em um artigo sobre desaprendizagem (unlearning), Tae Hea Nahm afirma que desaprender pode ser desconfortável porque passamos do sentimento de ser competente para o de ser incompetente (tradução livre). A sensação de voltar à estaca zero pode dar a impressão de que estamos perdendo e que isso é negativo. Acontece que é justamente no abandono dos antigos conceitos que está o espaço para a transformação.

Interlocução, maleabilidade, poder de relacionamento interpessoal e resistência à pressão serão alguns dos fatores decisivos nos resultados de pessoas e companhias e através do autoconhecimento, da autogestão, da consciência social e da gestão dos relacionamentos (os quatro pilares da IE descritos por Daniel Goldman) é possível atingir graus de desempenho mais altos. A boa notícia é que gerenciar emoções é questão de exercício e o uso da inteligência emocional não só molda um perfil competitivo como aumenta as chances de autorrealização, aspectos valiosos em um mundo que exige cada vez mais eficiência.

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