A hora da mudança: o que ter em mente ao realizar uma transição de carreira

A ideia de se dedicar à uma empresa por anos a fio e se aposentar com os robustos benefícios que o longo vínculo trará está praticamente extinta. A quarta revolução industrial (Klaus Martin Schwab) e a entrada de novas gerações no mercado são alguns dos responsáveis por ressignificar o termo carreira e alterar a forma como as pessoas encaram o trabalho. A tendência é que o aprendizado seja cada vez mais perseguido e talento, experiência e comportamento sejam mais valorizados que duração. Por esses e outros motivos a transição de carreira está cada vez mais presente na vida de todos.

Por mais que a movimentação profissional tenha hoje novos e por vezes positivos significados, quando um ciclo se encerra, não importa de onde parta a decisão e de que nível seja o profissional, se inicia uma fase de incertezas. E as novidades podem surgir mesmo para quem já tenha percorrido esse circuito antes, afinal, mercado e pessoas estão em constante transformação. O sucesso na recolocação depende de diversos fatores, mas a leitura correta da situação, a postura adotada e os planos traçados são fortes determinantes do resultado que ela terá.

Atenção aos sentimentos

Para que o processo tenha efeito positivo é crucial fazer uma análise emocional inicial e administrar os sentimentos ao longo do caminho. As emoções nem sempre são claras e muitas vezes disputam espaço com a lógica, a racionalidade e o equilíbrio. Não monitorar os sentimentos para encarar a situação como ela realmente é pode resultar em decisões inadequadas e na falta de controle do processo.

Felicidade, tristeza, medo, raiva, nojo e surpresa são as emoções primárias que originam nossos sentimentos e reações. Vale esclarecer que se presentear, tirar um período sabático, fazer uma viagem com a família para espairecer, aproveitar o tempo livre para organizar aspectos da vida pessoal são ações legítimas e necessárias em diversos momentos da vida, mas não podem ser consideradas parte do processo de transição de carreira, portanto, é necessário ter clareza sobre o que motiva cada atitude.

Recolocação é uma empreitada

Ao iniciar uma movimentação, o profissional deve encarar a busca por novas oportunidades como um trabalho, tendo compromisso e criando uma rotina para tal. É essencial compreender que essa não deve ser uma atividade paralela e que o resultado da recolocação não é totalmente aleatório. Os fatores que envolvem a transição se tornaram mais complexos ao longo do tempo e hoje e é preciso gerenciar:

Contexto – analisar constantemente o mercado de atuação e suas mudanças.

Objetivos – traçar metas e mantê-las viáveis.

Planejamento – desdobrar as metas em ações.  

Rede de relacionamento – fazer conexões produtivas.

Elementos de apresentação – organizar currículo, páginas na internet, pitch e outros componentes de exposição.

Imagem e postura – rever e alinhar o comportamento online e offline.

Aspectos pessoais – conciliar questões pessoais e profissionais de forma que o equilíbrio geral não seja prejudicado.

O profissional é o personagem principal

Para administrar todas essas questões é imprescindível que o profissional assuma o papel de protagonista da própria carreira, seja a transição assistida ou não. É necessário ser realista e compreender que existem aspectos que não podem ser controlados. Dessa forma, é possível concentrar os esforços no que pode ser administrado e aumentar as chances de sucesso, além de diminuir as frustrações. Manter a consistência também é um fator chave que garante bons resultados, mais importante que fazer muito é fazer sempre.

Vale lembrar do adágio de Benjamin Franklin: “Quem falha no planejamento planeja a falha” (“Failing to plan is planning to fail”). Por mais que o resultado da transição de carreira dependa também de fatores externos, controlar as emoções, respeitar uma estratégia e ser assíduo aumentam não só as chances de sucesso como preservam a saúde emocional, o que permite atravessar o processo com mais consciência e, consequentemente, com mais aprendizados.

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