As três faces da reestruturação empresarial – E porque ela deve estar presente no dia a dia de qualquer companhia.

Qual é o significado de reestruturação empresarial?
Quando deve ser aplicado?
Como deve ser conduzido?
Que resultados esperar ao longo do tempo?

Quando empresários e executivos nos procuram para discutir esse assunto percebemos que o termo está muito associado ao aspecto jurídico da recuperação judicial. Apenas em seguida surge o conceito de necessidade urgente de correção de rumo, seja para evitar a deterioração do resultado ou para corrigir um mal resultado.

Poucas vezes a reestruturação é encarada como um elemento de gestão que deveria estar presente no dia a dia das empresas, principalmente no planejamento e nas tomadas de decisão. O prefixo “re” pode sugerir três significados, repetição (rever, repensar, reler…), reforço (revigorar, rebuscar, revirar…) e retração/retrocesso (retornar, recuar, reiniciar), todos aplicáveis a ciclos que empresas vivem.

A reestruturação com significado de repetição

Neste caso, a reestruturação deve ser vista como uma ferramenta de gestão de uso constante repetindo permanentemente a revisão de suas estruturas (operacional, comercial e financeira) visando ajustes que suportem os resultados esperados. São muitos os casos em que, por falta deste tipo de ação, a empresa anda aos saltos. O descompasso entre estruturas pode frustrar ações de crescimento e por vezes gerar retrocesso. Um exemplo disso é a cultura de uma empresa, que muitas vezes é ignorada quando alguma ações empresariais são tomadas.

Isso pode acontecer, por exemplo, com uma empresa que decide inovar reestruturando sua área de marketing, seu portfólio de produtos, equipamentos e produção e não reestrutura a área comercial, cuja cultura é fortemente baseada nos produtos existentes, na forma de vender, de comunicar com os clientes e etc. Produtos que não vendem por falta de engajamento da área comercial pode ser um bom exemplo disso.

Para evoluir constantemente, é muito importante que haja recorrência na avaliação das necessidades de adequação das estruturas da empresa. Tal repetição permite eficiência operacional e obtenção de resultados continuamente crescentes e constantes, evitando os solavancos que os descompassos proporcionam.

A reestruturação com significado de reforço

Aqui a reestruturação ainda não é vista como ferramenta de gestão de uso constante, mas sim como solução para uma situação potencialmente problemática ou já identificada como um problema. O risco deste tipo de ação é a percepção de solução do problema que pode, na realidade, não ser a solução e sim a movimentação para outra área da empresa. Voltando ao exemplo anterior, a reestruturação da área comercial que então passa a vender o novo produto pode ainda não trazer resultado para a empresa, pois alguma outra área ainda não foi preparada. Neste caso, a logística. A avaliação de estruturas de forma parcial sempre poderá trazer o risco da perda de tempo, do retrabalho e dos prejuízos.

A reestruturação com significado de retração.

Normalmente é o que ocorre quando empresas que já estão em situação difícil e sem opções optam pela reestruturação. Na maioria dos casos, a reestruturação nesse ponto só é viável com a proteção legal oferecida pela Recuperação Judicial (RJ). Com ou sem RJ, as empresas nesta situação, via de regra, retrocedem em tamanho pela necessidade imperiosa de redução de custos fixos e semivariáveis, otimização da rentabilidade do portfólio de produtos e do uso dos recursos financeiros associados e sempre escassos porque normalmente já não tem crédito no mercado.

Por vezes a desmobilização de ativos é parte da solução ou a solução, mas demanda tempo. A combinação das correções ou reestruturações com o tempo, normalmente, levam a empresa a um encolhimento inicial para crescimento posterior. Esta situação que obviamente tem várias causas, poderia em muitos casos ser evitada ou mitigada se reestruturações constantes fossem feitas ao longo do tempo.

Em resumo, a reestruturação deve ser vista como um processo contínuo e não como uma ação isolada, que ainda é o mais visto nas empresas. O maior obstáculo das reestruturações é o apego aos bons resultados do passado, a tradição, o conservadorismo e a leitura incorreta do mundo e seu processo de mudança. Cabe então assumir uma postura inovadora e desconstruir as ideias existentes, só assim é possível abrir espaço para novos e melhores resultados.

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